17ª Paragem 2017: Aproveitar o bom momento

Trilhos Loucos da Reixida

Tempo: 02:47:31
Distância: 28.28kms
Classificação Geral: 3° Classificado
Classificação Escalão: 3° SenM

Já sou "cliente" dos Trilhos Loucos da Reixida há alguns anos. Em 2017 completei a minha 4ª participação após ter marcado presença em 2012, 2014 e 2015. Apesar de já ter percorrido esta zona várias vezes o traçado do percurso acaba sempre por sofrer algumas alterações, parecendo sempre que estamos numa nova prova e este ano, não foi diferente. A parte boa é que em cada ano parece que a prova é melhor e com um percurso cada vez mais apelativo terminando sempre com um troço de 300mts dentro de uma ribeira que dá acesso à zona da chegada da prova.

Tal como em outras edições, esta prova faz parte do Circuito do Calcário e este ano era a penúltima prova do circuito! Como tal tentei estar presente com a equipa para atacar o primeiro lugar coletivo e ver também como estava o corpo no final desta fase competitiva muito intensa e onde me vinha a sentir muito bem. Fiz o "trabalho de casa", analisei a prova, geri os líquidos durante o fim de semana e permitiu também algum descanso (bem preciso) e no sábado ao fim do dia estava pronto para a prova.

A antecipação do horário de partida devido ao calor (uma medida sensata da organização) levou a que tivesse que me levantar muito cedo no domingo mas como o corpo andava "descansado" acabei por não sentir os efeitos de levantar de madrugada. Juntei-me à restante comitiva de caracóis e lá seguimos para a Reixida. Assim que cheguei aproveitei para equipar logo e ainda dei uma corrida com o Pedro Ribeiro... Após esse ligeiro aquecimento fomos para a zona de partida, cumprimentamos a malta conhecida que anda a fazer o circuito do calcário e depois de ouvirmos umas palavras do Vitor Ferreira (mentor do circuito do calcário) e do Adelino Santos (mentor da prova), iniciámos os Trilhos Loucos da Reixida.

Equipa pronta para os Trilhos Loucos da Reixida
Bastava dar uma olhadela no perfil da prova para perceber que a parte mais "dura" seriam os primeiros 9kms, um percurso com mais sobe do que desce que culminava com a velha conhecida "subida dos postes", levava a que a prova tivesse que ser bem gerida nesta fase para não desgastar demasiado ficando sem forças para o fim e ao mesmo tempo tinha que levar um ritmo alto para não ficar arredado da discussão da prova. O primeiro quilómetro da prova foi relativamente calmo, o grupo da frente ia-se formando com a malta habitual do Circuito mas desta vez contava também com a presença do Guilherme Lourenço, um dos melhores atletas nacionais e que se encontra a preparar uma prova em Andorra. Assim que o percurso deixou de ser ligeiramente a subir e teve uma grande inclinação o ritmo controlado da prova passou imediatamente a forte, o Guilherme tomou a "dianteira" do grupo e fui tentando ao máximo não me afastar demasiado. 

Eu e o Pedro a perseguir o Guilherme com o Carlos Bárbara logo atrás

Na primeira subida consigo manter sempre o contacto visual, mantendo a distância na descida e no início da segunda subida onde sensivelmente a meio tínhamos uma zona plana em estradão e onde aproveitei para olhar para trás para ver quem vinha... O Pedro sabia que estava lá porque ouvi-lhe sempre a passada mas não ouvia mais ninguém. e não ouvia porque quem vinha mais perto era o Carlos Bárbara mas já tinha "descolado", seguindo eu e o Pedro em 2º e 3º "isolados", na perseguição ao Guilherme. O final desta subida era particularmente duro, uma grande inclinação fez com que metesse pela primeira vez a passo e perdesse definitivamente o Guilherme de vista, só o via esporadicamente ao longe quando o terreno assim o permitia. No topo da subida víamos o próximo "petisco", a subida dos postes, mas para lá chegar tínhamos uma descida com cerca de um quilómetro mas "fácil"... O Pedro passou logo para a frente, tentei colar a ele por saber que o meu ritmo a descer não é o melhor e consegui chegar ao ponto de partida da 3ª subida com pouco atraso. O Carlos Bárbara tinha-se chegado durante a descida e estava assim formado o top4 no ataque aos postes. Eu e o Pedro saímos fortes, acabamos por ganhar alguma vantagem até que numa das partes mais inclinadas da subida decido parar para meter um gel, o Pedro segue e o Carlos volta a aproximar-se... Assim que termino o gel volto a arrancar a correr, alternando a partir daí a corrida com a marcha no que restava da subida. A distância para o Pedro foi-se mantendo só conseguindo ganhar novamente alguns metros ao Carlos, chegando por esta ordem ao topo da subida mais difícil da prova. 

Chegada ao abastecimento da subida dos postes
No topo estava também o meu pai e restante comitiva de caracóis... Troco os flasks, digo-lhe que estou bem e sigo imediatamente para o que faltava da prova. A partir deste ponto a toada da prova muda para uma zona com muito sobe e desce, não tendo nenhuma subida de destaque mas que obrigava a gerir muito bem para não pagar a fatura mais tarde. Deixei de ver o Pedro por completo, após a subida acabei por ter uma ligeira quebra mas pouco depois estava de volta à corrida. Quando olhei para trás vi que o Bruno da Zona Alta tinha passado o Carlos e estava agora na minha perseguição. Tentei ao máximo evitar que o corpo tivesse mais "recaídas" e sempre que o percurso tinha um "cotovelo" voltava a olhar para ver se alguém vinha. No final desta zona tínhamos novo abastecimento e voltava a estar presente a comitiva dos caracóis. Nova troca de flasks (o calor estava a aumentar e a ingestão de líquidos estava a aumentar proporcionalmente) e sigo a uma velocidade ligeiramente superior aquilo que tinha vindo a fazer. 

Saída do abastecimento que marcava o final da zona de "sobe e desce"

A partir da foto anterior o percurso entrava numa descida que só seria interrompida por uma ligeira inclinação. Esta descida tinha como final a subida da cascalheira. Não tenho ideia de já ter completado esta subida em alguma das outras edições: 170mts com 70mts de D+ (41% de inclinação média). Para mim só existe uma maneira de a fazer, com as duas mãos e com os dois pés no cascalho. Fui tentando utilizar a regra dos três apoios da escalada (em todos os momentos da subida devemos ter três apoios na "parede") e lá me fui aproximando do topo. Quando cheguei ao que pensava ser o topo vejo o Bruno a chegar ao início da subida e percebo que já tinha ganho algum avanço. Início aquilo que pensava ser a descida após a cascalheira e após uns metros a descer, curva à direita e volta a subir até ao penúltimo abastecimento da prova, uma subida não tão dura como a anterior mas que ainda tinha uma boa inclinação (500mts com 75D+).

Chegada ao penúltimo ponto de abastecimento
No topo da subida começava finalmente a última fase da prova, uma descida grande, com algumas subidas ligeiras e esporádicas que nos levava a um cruzamento onde se via a igreja da Reixida. Fiz esta descida a um bom ritmo e quando cheguei a esse cruzamento, olhei para a direita (em direção à igreja) e não vi fitas, quando olhei para a esquerda lá estavam as fitas, por uma subida que parecia ir fazer uma "barriga" para chegar à ribeira final. Fiz a subida praticamente toda a correr e sigo para os quilómetros finais onde a cerca de 3 quilómetros da meta (no último abastecimento) estava uma placa a dizer "5kms". Segundo as minhas contas, não podia significar que faltavam 5 quilómetros portanto tentei meter na cabeça que aquilo era para outra distância e segui caminho. Após uma zona novamente acidentada, com algum desnível e com terreno não muito estável, chegamos aos arredores da Reixida e à entrada na Ribeira. Tentei fazer esta zona o mais rápido possível mas com as pressas, mandei um pontapé numa pedra (em alguma zonas não se vê o fundo da ribeira) e ia dando uma cambalhota dentro de água. Lá me consegui endireitar e cheguei ao final da ribeira. Após esta zona entramos novamente num estradão de terra batida, volto a correr nos últimos 250mts até chegar à meta em 3º lugar, atrás de dois grande atletas. 

Entrada na zona da ribeira
No final tínhamos o Vitor Ferreira como speaker de serviço, a animar a malta e a entrevistar os atletas que iam chegando. Fui acompanhando quem estava a chegar e ao 10º atleta já tínhamos 4 caracóis terminados levando assim à vitória coletiva para somar ao pódio pessoal na geral e consequentemente no escalão. No final ainda fui ajudar um caracol que deixou as forças todas pelo caminho e passou pior nos últimos 4 quilómetros mas que ficou rapidamente restabelecido assim que terminou a prova, parabéns a ele pela superação e aos restantes caracóis que terminaram a prova. 

Foi uma boa prova a nível pessoal, senti-me sempre bem e fui capaz de impor ritmos fortes ao longo de toda a prova, levando a um 3º lugar que me deixa bastante satisfeito. A nível de organização acho que esteve tudo muito bem, muito bem marcado, com muitos abastecimentos e alguns chuveiros ao longo do percurso para fazer face ao enorme calor que se fazia sentir na região. No final prémios bastante originais que premiaram os primeiros lugares da geral, do escalão e das equipas. Muitos parabéns ao Adelino, ao Vítor e restante equipa que se apresentou em grande número ao longo do percurso.

Pódio da geral e também do escalão da prova de 28kms dos Trilhos Loucos da Reixida

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