12ª Paragem de 2016: Não pode ser sempre perfeito

Trail de Sesimbra

Tempo: 01:45:45
Distância: 21.72kms
Classificação Geral: 10º Classificado
Classificação Escalão: 9º Classificado SenM

No ano de 2014, quinze dias antes da minha primeira aventura de três dígitos, participei numa prova em Sesimbra em que fiquei maravilhado com todas as paisagens que fui apanhando, com um percurso bem duro e com a ótima organização do Mundo da Corrida, tal como já estava habituado. Na altura estes foram os apontamentos que deixei nos meus registos: "As condições físicas não eram as melhores, vinha de uma noite a dormir 3 horas, e a semana anterior não tinha sido propriamente fértil em sono, por isso vim fazer mais um teste pessoal. Se nos primeiros 10kms tinha as pernas muito pesadas, com o correr dos kms, deu para fazer 95% dos outros 11kms a correr. Acabei muito bem. Para o ano há mais, e um dia tenho que voltar para os 52kms. Vistas quase únicas neste país e uma cidade que respira trail neste dia. Muito, muito bom!!!"

Já nesta altura sabia que tinha que voltar e quando no início do ano decidi juntamente com a minha equipa participar no campeonato nacional de trail da ATRP, fiquei muito feliz com a escolha desta prova para entrar nesse campeonato. As sensações para esta prova não foram muito diferentes das de à dois anos: por motivos profissionais não consegui preparar a prova nas melhores condições... Os treinos apesar de terem sido cumpridos tiveram que ser adaptados, a alimentação não foi de todo a melhor, o descanso esteve longe de ser o ideal e a véspera da prova foi passada em pé! De qualquer maneira as provas anteriores tinham deixado ótimas sensações, o corpo só queria correr e mais correr e decidi abstrair-me ao máximo dos fatores que relatei antes e tentar fazer uma ótima prova. Já sabia de antemão que a prova ia ter um nível altíssimo e para juntar à comitiva habitual surgiam mais dois Gafanhori vindos da orientação que tinham tudo para se intrometer na luta por esta "etapa" do campeonato.

No dia da prova, saí em direção a Sesimbra, onde encontrei a comitiva dos caracóis, reunimo-nos, fomos levantar dorsais, preparar a prova e seguir... Em menos de nada eram 8h55min, o Eduardo Santos deu os avisos necessários para a prova e às 9h em ponto a prova começou! 

Equipa pronta para o início da prova
Estava à espera de um início muito rápido, a prova era muito curta e achava que o pessoal da frente ia meter níveis muito altos. A verdade é que o ritmo apesar de ser alto (a rondar os 4min/km na praia), não ia exageradamente alto. Deixei-me ir no grupo da frente e ver no que ia dar... Saímos da praia, fizemos um troço em alcatrão para nos dirigirmos para a zona da serra e quando estávamos prestes a chegar à terra batida, começo a ouvir passos mais acelerados que os nossos, olho para o relógio e vejo que a minha aventura naquele grupo acabava aos 2.36kms! O Tiago Aires e o Nelson Graça apareceram de trás, meteram um ritmo altíssimo, o desnível começou a aparecer e eu sabia que não tinha pernas para aquele grupo. Fiz como costumo fazer, deixei-me ficar no meu ritmo na esperança de fazer uma segunda metade mais forte e ainda ir conseguir apanhar alguém. A mudança na frente não me fez só a mim como "baixa", ficaram também o Pedro Ribeiro da minha equipa junto com o Diogo Baena (que seguiam ligeiramente à minha frente) e dois atletas que seguiam ligeiramente atrás de mim. Assim que o desnível voltou a diminuir, o Pedro e o Diogo ganharam-me uma margem maior e eu fiquei sem ver quem vinha atrás de mim... Assim, aos 4kms de prova seguia no 10º lugar, e a fase com mais desnível ia começar! Tal como à dois anos, o que se seguia era uma descida algo técnica e a subida que para mim é a mais dura da prova mas que simultaneamente tem das melhores vistas da prova... Vale a pena tirar cinco segundos para olhar para trás e ver o mar a ficar nas costas, ver o que já subimos e o que nos circunda, só pela vista a prova vale logo a pena! Ao fim desses segundos, oiço passos a aproximarem-se, era o meu conterrâneo Sérgio Correia, da Zona Alta... Não podia abrandar mais o ritmo, corria o risco de ser apanhado por mais atletas e tinha que manter no mínimo esse 10º lugar. Tentei meter momentos de corrida curtos alternados com passos rápidos e antes de chegar ao cimo da subida deixei de ouvir o Sérgio e estava outra vez isolado no 10º lugar. Pouco depois do fim da subida surgia o primeiro abastecimento, mas como o tempo não estava demasiado quente ainda não sentia a necessidade de encher os flasks. Foi só agradecer e seguir, queria tentar apanhar o Pedro e o Diogo, sabia que seriam duas boas "boleias" mas que já estavam um bocado à minha frente, era altura de recuperar o tempo perdido...

Após a subida dos 5kms, seguia-se uma zona rolante, tentei meter ritmos fortes e o corpo estava a responder, e após uma zona com algum sobe e desce, vi ao fundo o Pedro e o Diogo, já levavam bastante avanço, mas tinha que continuar a seguir a bom ritmo para me aproximar ainda mais! Cada vez me estava a sentir melhor, queria encurtar o espaço e parecia que estava a resultar... Aos 8kms, no final de uma descida não muito técnica oiço a voz do Ico Bossa a chamar por mim, era ele a marca de início de nova subida longa e dura! Após trocar umas palmas e umas palavras com ele (foi bom ver-te, amigo), estava na hora de subir... 
Início da 2ª subida... Fotografia do enorme Ico Bossa


Fiz maior parte da subida a correr, só parei a meio para meter o gel e voltei a correr! Quando estava quase a acabar olhei para trás e não parecia vir ninguém, mas durante a subida também nunca vi o duo que seguia na minha frente. Assim que acabou a subida voltei ao meu ritmo forte... Entre os 8 e os 14 quilómetros a prova caracterizava-se por trilhos pouco técnicos, com pouco ou nenhum desnível, onde quem tivesse pernas, corria... 

Num dos trilhos após a segunda subida
Quando passava pouco dos 10 quilómetros, senti uma ligeira quebra. Antes disso, a direito estava a rolar à volta dos 4min/km e quando começei a sentir essa quebra, passei a rolar a 4:20min/km! Felizmente, pouco depois disso surge a descida para o 3º abastecimento... Quando cheguei, aproveitei para abastecer pela primeira vez, enchi o flask, perguntei para onde seguia a prova e em menos de nada estava de volta à prova! Aquele tempo em que estive parado para encher o flask fez-me bem... Consegui voltar a correr a um bom ritmo e na saída da pedreira voltei a ver o Pedro e o Diogo, continuavam juntos e sabia que o ritmo dificilmente ia descer! Já me levavam cerca de dois minutos de avanço, eu ia passando atletas de outras provas e ia tentando subir o ritmo... Pouco depois da pedreira surge uma enorme descida que segui para Sesimbra! Sabia que ainda faltava a subida para o castelo mas estava a estranhar a aproximação tão precoce à localidade! Quando já estávamos mesmo perto da entrada, surge um trilho para a esquerda que começava logo a subir... Sentia-me bem e queria fazer a subida rápida! Tão rápida que logo após 500mts surgia uma curva para a direita e eu nem a vi... Segui em frente, fiz 100mts para a frente e quando o trilho acabava, percebi que estava mal! Perguntei ao atleta de outra prova que vinha atrás se via fitas, ele disse que não e voltou atrás, ao fim de pouco tempo ele gritou que já tinha encontrado e eu voltei também, agradeci o gesto e voltei ao meu ritmo... Se a perseguição estava complicada, agora estava ainda mais complicada, mas não podia desistir, até porque tinha atletas atrás de mim! Fui passando atletas que cederam sempre passagem, e cheguei rapidamente ao castelo. Voltei a encher o flask e iniciei a derradeira descida até Sesimbra.

Última descida da prova após o castelo

A descida iniciava-se com uma zona em paralelos e após isso, umas escadas que não favoreciam muito a minha passada... Eram curtas para fazer um passo em cada e longas para fazer um passo a cada duas! Decidi fazer pelo trilho que estava ao lado e segui ao meu ritmo. Já não via ninguém à minha frente e não ouvia ninguém atrás, meti um ritmo forte para fim de prova e cheguei ao alcatrão, já dentro da zona habitada de Sesimbra! Poucos metros à frente voltámos a um trilho "urbano", de lado casas e do outro lado, um bosque... Este trilho ia dar diretamente à praia, local por onde segui até à meta, tal como tinha feito na partida! Ao fim dos 21.72 quilómetros acabava a prova, não no lugar em que queria, não no tempo em que queria, mas muito perto de ambos! Como disse no título, não pode ser sempre tudo perfeito mas ainda assim consegui um bom resultado... Agora é trabalhar para a próxima prova do campeonato a que vou... O trilho das poldras! 

Já depois de ter acabado a prova percebi que o final deveria ter feito o percurso pelo alcatrão, poupando alguns segundo mas que pessoalmente não me custaram lugares na classificação... A organização poderia ter posto alguém a mandar a malta pela estrada porque não estava perceptível. De qualquer maneira é uma correção que proponho, deixando desde já um grande obrigado por montarem ano após ano esta prova que considero uma das mais bonitas do país! Abastecimentos completos, em grande número, com pessoal simpático e que sabe receber! Obrigado Mundo da Corrida pela disponibilidade e pela prova que nos presentearam! 

Em relação à equipa, terminámos no terceiro lugar, um ótimo terceiro lugar a dois pontos do segundo (Portalegre) e a cinco do primeiro (Ferreira do Zêzere)! Pessoalmente gostava de ter contribuído mais, mas não dava mesmo... Nas Poldras há mais! 

Pódio da prova com Ferreira do Zêzere (1º) e com Portalegre (2º)
 

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