2ª Paragem 2017: Oficialmente fartinho disto

Trail de Alenquer

Tempo; Distância; Classificação Geral; Classificação Escalão: DNF

Ao segundo dia de lesão posso desde já dizer que estou de cabeça perdida... Faz-me lembrar o Shia Labeouf no filme Disturbia (que aconselho vivamente). Já estou farto de jogar playstation, já não me apetece ver filmes, não quero ler livros, dava o meu dinheiro todo para poder ir lá fora correr, nadar, saltar, o que fosse! Mas a vida não é assim e tenho que me aguentar... Após este desabafo inicial, aqui fica o meu relato dos primeiros 15kms de prova.

Na sequência da prova anterior, a S. Silvestre do Alqueidão da Serra, continuei a minha carga de treinos tendo em vista o início da época, marcado para Janeiro. Sentia o corpo bem cansado, andava numa fase que já não sentia desde o final da época passada: estar sempre a comer e estar sempre cheio de fome mas isso fazia-me sentir bem porque o trabalho estava a ser bem feito. No dia 18 aparecia uma prova que já conhecia, por ter participado em 2014, o XMas Trail de Alenquer... Um trail curto mas com bastante altimetria que seria ótimo para dar ritmo de competição às pernas.

Foi assim que chegou o dia da prova... Juntámos os caracóis que iam participar e a equipa de apoio e seguimos para Alenquer. O ambiente que se vivia na zona de partida era bastante agradável: quase um milhar de pessoas juntava-se no Jardim da Romeira para completar as duas distâncias de trail ou a caminhada. Após equipar segui para a linha de partida onde tirámos a foto de equipa e preparámos para a partida.

Equipa dos 22kms pronta para a partida
Após uma contagem decrescente a partir de 10 lá seguimos para os primeiros 22 quilómetros em trail da época (pelo menos era o que esperava). Os primeiros dois quilómetros eram feitos em estrada e em terreno plano... Eu e o Pedro Ribeiro aproveitámos para esticar um bocado o ritmo, andar a 3:30'/km e ver quem vinha. O Fábio Fontoura veio sempre no grupo junto com o Tiago Valério de Portalegre o Pedro Pinheiro do Trilho Perdido e mais outro alteta que não sei o nome. Assim que o terreno deixou de ser plano o Fábio aproveitou para meter um ritmo mais forte, eu e o Pedro ainda fomos atrás mas os quilómetros que tínhamos acumulado nas últimas três semanas não permitiam andar a ritmos tão altos quando aparecem desníveis mais acentuados. Acabámos por ficar os dois para trás mas à medida que as inclinações iam aumentando o Pedro ia seguindo e eu fui ficando para trás. Foi assim entre o 2º e o 4º quilómetro da prova onde consegui estabilizar o ritmo. A partir daqui foi muito raro ter terreno direito, ora estávamos a subir, ora descíamos, em terrenos muito a "pique" e isto não me beneficiava muito.
Após uma das subidas da prova, perto do quilómetro 6
Embora nas subidas estivesse a ganhar terreno a quem vinha atrás, no caso o Omar Garcia, de Almeirim, nas descidas acabava sempre por perder mais terreno do que tinha ganho anteriormente e o Omar estava cada vez mais perto. Perto do quilómetro 13, uma subida marcava o ponto mais alto atingido até ao momento, 278 metros, e a partir daí a prova ficava com menos desnível positivo... Quando passei pelo meu pai, aos 13 quilómetros disse-lhe que ainda não tinha conseguido esticar o ritmo mas que quando tivesse oportunidade ia aproveitar para fazê-lo. E a oportunidade surgiu logo a seguir, quando o percurso entrou numa fase mais a descer e onde consegui voltar a andar abaixo dos 4'/Km... E logo durante 1.5 quilómetros. Estava a voltar a sentir-me bem e aproveitei o facto de irmos passando atletas da distância mais pequena para ir ganhando motivação. Apanhamos uma ligeira subida, onde consegui manter o ritmo alto e entramos num single track, numa zona arborizada mas que não oferecia muita preocupação a nível de piso... Uma mudança de direção, um salto e quando aterro desse salto, coloco o pé de lado, oiço tudo a estalar e solto uma asneira bem grande! Não era a primeira vez que torcia o pé em prova e não ia parar... Tentei voltar a correr mas ao fim de 100 metros as dores não estavam a deixar continuar, olhei para o pé, vi a batata gigante que tinha e percebi que a prova para mim tinha acabado. Passou o Omar e o Paulo Lopes e uma série de atletas que agora não consigo dizer o nome de todos e apesar de quase todos mostrarem preocupação, não havia grande coisa a fazer... Os atletas da prova mais curta iam perguntando o que podiam fazer e um deles pediu ajudar à cruz vermelha, que se encontrava no final da descida, para me ir buscar onde estava. Agradeço imenso o pedido de ajuda porque foram estes senhores que através da técnica da "cadeirinha" me foram levando para baixo sem ter que pousar mais o pé. As dores estavam a aumentar e a senhora da cruz vermelha estava a estranhar o inchaço tão grande... Pediram para me vir buscar e veio um jipe da organização para me levar para o "centro de operações" da cruz vermelha. Pediram para fazer alguns movimentos com o pé e estava a conseguir fazer todos, o que era bom sinal, a possibilidade de estar partido era menor mas ainda assim fui até ao Hospital de Vila Franca de Xira ver o estado do pé. Após um raio X o ortopedista disse que não estava partido e que precisava de repouso no pé para isto recuperar. Há dois dias que o único caminho que conheço é o da cama para o sofá e do sofá para a cama e isso está a deixar-me doido, daí o desabafo inicial. O que vai motivando são as melhoras visíveis que vou tendo no pé... Estou completamente focado nesta recuperação, quero voltar aos trilhos o mais depressa possível e é a única coisa que me tem preocupado. Esperemos que a recuperação seja rápida e que isto vá ao sítio para poder atacar a próxima época convenientemente. 

Gostava de agradecer a algumas pessoas que me têm ajudado de sobremaneira quer na altura da lesão quer na recuperação:

- Organização: Foram impecáveis, sempre preocupados com o meu estado, com a maneira como o processo de evacuação e hospitalar ia decorrendo, tendo mantido contacto diário para saberem das minhas melhoras. 

- Cruz Vermelha: Desde o senhor que subiu um monte para me ir buscar até ao senhor que me conduziu a maca dentro do hospital, foram todos inexcedíveis no apoio que me prestaram.

- Aos meus pais e irmã: Primeiro à minha mãe que se prontificou desde logo a ir comigo ao hospital e que me foi fazendo companhia para não me sentir sozinho. Ao meu pai pela preocupação constante em saber da evolução do pé e à minha irmã por me fazer tudo o que eu preciso para que nunca tenha que pôr o pé no chão, tem sido uma autêntica ama.

- À minha namorada: Apesar de ter que estudar e fazer trabalhos, optou por fazer isso na minha companhia para que eu não desanimasse com tanto tempo sem nada que fazer.

- À equipa e aos amigos: Pela preocupação constante, pelas mensagens de apoio e por todo o carinho que têm transmitido.

Obrigado a todos e vou fazer de tudo para voltar ainda mais forte. 

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