Do hospital à S. Silvestre da Golegã

"Ao segundo dia de lesão posso desde já dizer que estou de cabeça perdida... Faz-me lembrar o Shia Labeouf no filme Disturbia (que aconselho vivamente). Já estou farto de jogar playstation, já não me apetece ver filmes, não quero ler livros, dava o meu dinheiro todo para poder ir lá fora correr, nadar, saltar, o que fosse! Mas a vida não é assim e tenho que me aguentar..."

Foi com este parágrafo que começei o último post do blog, na altura para falar sobre o XMas Trail de Alenquer. Desde que saí do hospital até aos dois dias que referi, aconteceram três pormenores que não relatei na altura mas que foram por demais importantes para os dias que se seguiram:

1 - O meu pé esteve sempre "ao alto". Enquanto estava sentado/deitado no sofá, tinha sempre uma pilha de almofadas para me elevarem o pé e ajudarem a diminuir o edema.

2 - De hora a hora fiz gelo durante cerca de 10'/12', tendo neste ponto que agradecer à minha irmã porque foi ela que muita vez fez de minha "escrava" para me levar e devolver o gelo ao congelador.

3 - Segundo indicação do médico, tomava dois anti inflamatórios (comprimido), um ao pequeno almoço e outro ao jantar.

Embora estes três pontos não fossem os únicos fatores da minha recuperação, a verdade é que ao fim de dois dias o edema estava cada vez menor e tinha menos necessidade de utilizar as moletas (utilizei para fazer os deslocamentos entre compartimentos da casa). Como tal, mesmo no fim de publicar o meu post liguei para um fisioterapeuta que já me acudiu algumas vezes, o Luís Pereira, que está intimamente ligado ao desporto e que sabia que me iria ajudar a lesão sabendo que a minha vontade de voltar a correr era mais que muita. Assim que soube o que tinha acontecido, atendeu-me no próprio dia e começou logo uma "batalha" contra esta lesão que foi sofrendo várias evoluções... Nos primeiros quatro dias as sessões eram praticamente diárias, a preocupação em recuperar o tornozelo para níveis "aceitáveis" obrigava a isso e com massagens e "estímulos elétricos" a coisa ia melhorando dia para dia. Na sexta já mal coxeava e por "ordem" do Luís fui experimentar correr, sempre respeitando as suas indicações: correr em terreno mole e direito e se começasse a ter mais dores parava imediatamente. Além destas condicionantes tinha também uma ligadura funcional feita por ele que muito ajudou a "poupar" o tornozelo.

Sabendo destas duas condicionantes optei pelo novo campo sintético de Torres Novas... Garantia um terreno mole e não tinha buracos, portanto essa parte estava resolvida. Para poder supervisar a parte das dores, pedi ao meu pai que me acompanhasse enquanto ia correr para o sintético. Quando começei a correr, o corpo ainda não tinha confiança suficiente e o movimento de corrida era pouco fluído... Com o acumular de voltas dadas ao campo o movimento começou a ser mais natural e os 6'/km do início passaram a 5'20'' no final. O meu pai ia acompanhando volta a volta o "ar de dor" que ia tendo e ia aconselhando a meter mais calma no meu aumentar do ritmo, ia tentando cumprir mas a vontade de correr era cada vez maior. Acabei o primeiro treino motivado, embora fossem só 4kms, já só queria que chegasse o dia de natal para poder voltar a correr. 

Voltas intermináveis ao sintético, para cumprir os primeiros 4kms após lesão
No segundo dia voltei para o sintético. Não tinha ainda confiança para sair de lá (nem autorização do Luís) e queria aumentar a distância que fazia. O desconforto que senti inicialmente no primeiro dia voltei a sentir mas desta vez a transição foi mais rápida (cerca de uma volta de 330mts), consegui andar a um ritmo de 5'20'' mais rápido e continuei a não sentir dores... 6kms ainda era pouco mas já começava a sentir que o corpo queria mesmo aumentar a carga.

Ritmo lento de início que foi acelerando à medida que o movimento de corrida ficou "natural"
Terceiro dia, era dia de voltar à fisioterapia, mas antes, esticar um bocado mais o corpo... De volta ao sintético mas desta vez para 8kms. Já só senti o desconforto durante o início da volta e pela primeira vez andei em certos períodos do treino abaixo dos 5'/km. Depois do treino voltei ao Luís e o feedback era positivo, correr estava a ajudar na recuperação e pela primeira vez tinha "ordem" para ir para o alcatrão. Mais uma sessão de massagem, estimulação e estava pronto para atacar o asfalto, com nova ligadura funcional a auxiliar o tornozelo.

Demorei cerca de 100mts a atingir os 5'10'/km, o que era um ótimo indicador
Ao quarto dia quis testar o corpo para a distância da S. Silvestre... Saí sem grandes objetivos de tempos, era só deixar o corpo correr. O desconforto era cada vez menor, nem 200mts andei até obter o movimento de corrida e com subidas e descidas, o corpo acabou por andar mais rápido do que estava à espera; Foram 50' a 4'50''/km, passei aos 10kms com cerca de 38'30'' e continuava a não ter dores. A motivação era cada vez maior e no dia a seguir queria testar a hora de corrida.

Primeiro treino de volta ao alcatrão, a moral ficou em alta
Foi com a motivação muito em alta que fui para o último treino/teste para a S. Silvestre da Golegã. Saí com o intuito de fazer uma hora a rondar os 5'/km e ver como reagia o tornozelo... Acontece que naturalmente o corpo quis meter ritmos mais fortes, afinal de contas esteve 6 dias sem qualquer treino e esteva a "meio gás" nos restantes dias. Deixei o corpo andar e no final deu uma hora a 4'42''. Este treino já estava de acordo com o que andava a fazer antes de me lesionar e na fisioterapia que fiz depois foi a primeira sessão em que tive dores "toleráveis" durante a massagem. Perguntei se podia ir à S. Silvestre e recebi o ok... Sexta é Dia de Prova!

Como diz o título do treino: último teste, e não podia ter corrido melhor
Hoje foi dia de dar descanso ao pé e amanhã vou alinhar na linha de partida da S. Silvestre da Golegã... A minha evolução ao longo do dois últimos anos nesta prova deixava-me com água na boca para aquilo que poderia fazer este ano, queria bater o meu RP (34'52'') aos 10kms o que se tornou impossível com a lesão. Ainda assim, poder alinhar na partida desta prova deixa-me muito feliz e caso consiga terminar a prova vou continuar a ser totalista de uma prova que gosto muito, quer pelo ambiente, quer pela adrenalina que faz correr nas veias com o desejo de me superar a mim próprio.

Tal como o número de edições, vai ser a minha terceira presença na linha de partida
Por último queria fazer três agradecimentos:

- A todos os que foram deixando mensagens de apoio... Foram impecáveis! 

- Ao "meu" fisioterapeuta, Luís Pereira, que foi ator principal neste filme que tem sido a minha recuperação. 

- Aos meus pais, irmã e namorada que foram autênticos "escravos" na minha fase mais dependente.

Espero no final da prova trazer-vos boas notícias. Já só quero que chegue a hora da partida...

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