8ª Paragem 2017: Um carrossel de sensações

Off Road Barreira

Tempo: 02:24:26
Distância: 26.32kms
Classificação Geral: 6º Classificado
Classificação Escalão: 5º SenM

Depois da prova de domingo no Sicó, a prova da Barreira aparecia como uma excelente oportunidade de fazer um treino competitivo não muito longo e com alguma intensidade. A verdade é que a prova de Vila de Rei, a contar para o Campeonato Nacional de Ultra Trail é já no próximo sábado, dia 11 e assim conseguia fazer a ponte entre as duas provas do campeonato. Além disso, o facto desta prova contar para o Circuito do Calcário, circuito acarinhado pelos caracóis, dava-lhe um tom até ligeiramente mais competitivo do que o desejado, mas desde que a cabeça estivesse no sítio, tinha tudo para correr bem.

A recuperação da prova de Sicó foi mais longa do que estava habituado... Os ritmos alucinantes a que a prova decorreu deixaram uma marca bem vincada, de tal maneira que até quarta feira parecia que o corpo estava com dificuldade em "engrenar". Na quinta feira devido a motivos profissionais não consegui treinar e tive que "ir atrás do prejuízo" na sexta e no sábado. Estes dois últimos treinos já foram mais normais, já me estava a sentir em condições e já estava com relativa facilidade a impor os ritmos normais de treino. Foi assim que cheguei a domingo, com força e vontade de fazer um bom trabalho a nível pessoal e em prol da equipa.

No domingo lá seguimos em direção à Barreira, prova em que o meu pai participou como padrinho e onde o Caracol Trail Team esteve representado em bom número. Apesar do dia se apresentar muito cinzento estava com uma temperatura agradável o que me fez tirar o impermeável mesmo antes de começar. Optei por levar só os manguitos que depois poderia baixar em caso de ter necessidade e com um flask na mão, lá segui para a partida junto com a restante equipa. 

Equipa pronta para as partidas das provas de 15 e 27kms
Por volta das 9h05' foi dada a partida da prova pequena. Logo de seguida fomos dar uma corrida para aquecer, ouvir umas últimas palavras do Jorge Agostinho e alinhar para a partida. Não tinha a mínima noção do que iria encontrar... Apesar de ter algumas memórias em relação a 2015, as condições climatéricas deste ano faziam antever um terreno muito pesado que não iria facilitar em nada a progressão, algo também referenciado pelo Jorge no discurso inicial, pelo que teria que ir percebendo ao longo da prova o que se passava. Às 9h17' saímos para a nossa prova, por uma estrada de alcatrão que durou 700mts e logo entrávamos na primeira zona com muita lama.

Passagem do asfalto para os primeiros trilhos
A partida acabou por sair forte, o Diogo Baena meteu um ritmo que o deixou praticamente isolado e eu e o Pedro Ribeiro íamos logo atrás, tal como demonstra a foto acima. Quando fazemos esta primeira entrada penso imediatamente no meu pé, um terreno muito pesado, que obrigava constantemente a meter um pé no travão para não cair e o medo da entorse "assombrou-me" inicialmente. Deixei o grupo da frente seguir e fiquei na 8ª posição, tentava perder o mínimo terreno possível e sempre que o terreno o permitia aproveitava para aumentar o ritmo... A inclinação do terreno nesta altura era muito irregular, tanto tínhamos uma grande picada como a seguir estávamos numa grande descida e ia tentando dosear o esforço para numa fase mais avançada da prova tentar fazer uma aproximação a esse grupo da frente. 

Uma das descidas, quando ainda ia em 8º
Inicialmente este doseamento era planeado mas chegou a uma altura em que a lama era tanta que estava mesmo a perder muito terreno e começei a ouvir um grupo que vinha de trás a aproximar-se... Vinham de tal maneira rápidos ou eu ia de tal maneira lento que quando eles me apanharam (durante uma das descidas com lama) deixei passar e segui no meu ritmo. A prova não estava a correr nada bem mas a verdade é que logo a seguir havia uma nova subida, ligeiramente mais longa que as subidas até aquele momento e eu voltei a passar este grupo... Acabei por animar com esta ultrapassagem, tendo passado no primeiro abastecimento ainda em 8º lugar, juntamente com o João Fernandes da Zona Alta.

Descida após o 1º abastecimento
Entre o primeiro abastecimento e o segundo a toada foi praticamente a mesma... Muita lama, percurso muito irregular e voltei a ser ultrapassado por todo o grupo. Nesta fase não tinha muita perceção do lugar que ocupava, sei que perdi por completo esse grupo e ainda fui apanhado por dois atletas da Bajouca que vinham de trás. Pouco antes do segundo abastecimento (ponto de passagem dentro da Barreira) tínhamos uma subida longa e voltei a tentar recuperar terreno, Não voltei a ver esses dois atletas e ainda vi os últimos do grupo da frente a abandonarem o abastecimento. Aproveitei para encher o flask pela primeira e última vez e segui o mais rapidamente que consegui por uma zona onde em 2015 o terreno era muito menos pesado que a primeira parte.

Chegada ao segundo abastecimento
Foi com este pensamento que segui na perseguição... Voltei a meter ritmos fortes e até aos 15kms, ou seja, em três quilómetros, consegui não só apanhar o grupo como passar para a frente e ficar sozinho! Apesar do terreno estar pesado já permitia meter ritmos altos sem grandes perigos e estava a sentir-me bem, foi aí que decidi que iria tentar fazer uma segunda parte o mais forte que conseguisse. Tudo estava a correr bem, sentia-me a ganhar cada vez mais distância quando após uma subida vejo um ribeiro no final da descida que se seguia... Ainda parei para ver onde iam as fitas e quando percebi que era por dentro do ribeiro voltei a desmoralizar. Tanto é que todo o trabalho que tinha feito, num espaço de 500mts (zona com várias passagens entre rio e com lama até aos joelhos), foi perdido e estava novamente na cauda do grupo. Foi quando senti a perna a ficar toda enterrada na lama que pensei que não era mesmo o meu dia. Depois pensei na equipa, pensei nos dois atletas que tinha deixado para trás antes do segundo abastecimento que poderiam vir já aí e tentei voltar a correr com a maior motivação que consegui arranjar. Por volta dos 19kms, temos uma passagem por um rio que levava alguma corrente... Olhei para ele, fiz cara feia mas tinha que o passar. Agarrei-me à corda e ataquei a subida que se seguia.

Passagem pelo rio
Foi aqui nesta subida que percebi que apesar dos maus 500mts onde fui ultrapassado pelo grupo, não estava assim tão mal, estava a voltar a ver a "cauda" do mesmo. Tentei não abrandar, fazer uma subida forte para no que restava da prova ainda conseguir colar... Estávamos a chegar ao último abastecimento, dos 21kms e vejo os dois atletas que estavam à minha frente a parar. Olhei para o flask, vi que ainda ia a meio e aproveitei o momento para ganhar duas posições. Meti um ritmo forte e segui, ia olhando para trás e não me parecia estar a haver uma aproximação. Após este abastecimento entrávamos na maior subida da prova... Eram cerca de 2kms sempre a subir, com uma inclinação constante e além destes fatores que me favoreciam tinha ainda a motivação de estar a ganhar lugares. No início foi o Arménio Coelho das Chitas de Alcobaça, depois apanhei o Sérgio e o João Fernandes da Zona Alta e por fim, já mesmo no topo da subida apanhei o Jaulino da Bajouca. Pelas contas de cabeça e pelo que me lembrava dos atletas que iam à frente tinha ideia que ia em sexto, mas não tinha a certeza. Após este esforço em recuperar tantas posições tinha que dar tudo por tudo para manter o lugar que tinha conquistado, uma ligeira descida e nova subida onde aproveitei para ganhar ainda mais distância... Deixei de ouvir barulho atrás de mim e já só queria chegar à Barreira. Quando ia a entrar nos 26kms vejo a "escadaria" que ia dar ao parque onde terminava a prova. Vejo a minha irmã, o João Francisco, dizem-me que estava em sexto e que a meta era mesmo ali à frente. Fiz a subida final e contribuí com o meu sexto lugar para mais uma vitória coletiva do Caracol Trail Team no Circuito do Calcário, após a 1ª vitória no Castelejo.

Chegada ao pórtico da meta
Apesar de não ter sido uma grande prova a nível pessoal, consegui meter ritmos fortes onde me sinto mais confortável e tentei minimizar perdas nas zonas menos confortáveis. Agora resta acabar esta semana de treinos e enfrentar os 52kms de Vila de Rei do próximo sábado. 

Pódio Coletivo do Trail Longo
A nível da organização gostaria de dar os meus parabéns por com os meios que têm, terem um nível organizativo tão bom. Percurso muito, muito bem marcado, abastecimentos suficientes e com muitas opções, 1000mts de D+ numa zona como a Barreira é de valor e até nos pormenores como as fotografias do evento, estiveram muito bem, disponibilizando muitas fotos para os atletas! Muitos parabéns pela prova!

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