26ª Paragem 2017: Que bom é poder vencer no regresso a "casa"

I Trail Iberlince Barrancos

Tempo: 02:11:04
Distância: 22.96kms
Classificação Geral: 1º Classificado
Classificação Escalão: 1º SenM


Como sei que há gente que segue a minha "carreira" há relativamente pouco tempo, aqui fica uma curiosidade: durante cerca de 2 anos e meio, Barrancos foi a minha segunda casa! Fiz lá alguns amigos daqueles que ficam para a vida, diverti-me muito e diverti-me também em alguns treinos que ia fazendo com o Ico Bossa pelas margens dos Rios que circundam a Aldeia. Passados alguns desses treinos, em 2013, cria-se então o I Trail Transfronteiriço de Barrancos! Fiz a primeira edição, uma prova marcante por ter completado a prova com um grande grupo de amigos, incluindo o meu pai! Fiz a terceira edição, onde terminei em segundo lugar da geral, fazendo o segundo pódio da minha vida em ultra trail e este ano regressei a uma prova que está bastante diferente, até no nome; I Trail Iberlince de Barrancos! E se há bons exemplos de que mudar pode ser positivo, esta prova é uma delas, mas já lá vamos... Para já, a descrição da prova:
Na sexta feira saí de Lisboa, apanhei dois Barranquenhos (os tais amigos que ficam para a vida), o Tomás e o Franciso e segui em direção à longínqua aldeia de Barrancos... Tão longínqua que a terra mais próxima é espanhola! 


Curta viagem até ao I Trail Iberlince de Barrancos
Aproveitámos para meter a conversa em dia e assim que cheguei já tinha tudo preparado pela enorme família/equipa que já estava em Barrancos... Além de já ter o dorsal levantado, tinha também o jantar servido em casa do Ico! Obrigado Cristina, estava ótimo! Energias recompostas, fui até ao pavilhão onde já se estava a montar a "aldeia caracol". Embora não tivesse o tamanho da aldeia montada nas 24H de Portugal, era uma aldeia bastante bem composta, com local de alimentação, local para equipar e local para os atletas descansarem... Estava tudo preparado para as prestações serem as melhores! 
Aldeia Caracol na ceia pré prova
Para finalizar o dia, faltava apenas receber a tática "pré prova"... O meu pai deu os últimos conselhos e fomos descansar, ou pelo menos, tentar! O início da noite foi bastante calmo, deu para adormecer bastante facilmente e o plano era descansar até às 7h30h para tomar o pequeno almoço descansados, beber um café e seguir para a Feira de Exposições de Barrancos, local de partida! A verdade é que nem toda a gente tem o mesmo respeito pelos outros e a partir das 7h foi completamente impossível dormir... A mim não me fez muita diferença, já tinha descansado o suficiente, mas acredito que para quem fosse fazer a prova grande fosse um bocado mais chato! É um problema crónico para as pessoas que decidem dormir em pavilhões, mas fica sempre bem fazer o alerta para os barulhentos que há malta que precisa de descansar! Desabafo à parte, lá nos preparámos para a prova, com o pequeno almoço comprado no dia antes pela família caracol e fomos tomar o café pré prova já ao centro da vila... Descemos até à expo e fomos fazer os preparativos finais para a prova!
O Gaio já pronto para os 40kms e o resto da equipa quase pronta para os 20kms. Foto da Caracol TV
Deu-se a partida para os 40kms e fui dar uma corrida com o Hugo, a Joana e o João Pedro para preparar o que se seguia... Os ritmos não se previam muito elevados, mas de qualquer maneira, 20kms são 20kms e convém não facilitar. Regressámos para o local de partida e após contagem decrescente de 5 até 0 pelo Paulo Guerra, um dos padrinhos da prova junto com o Manuel Damião, deu-se o início da prova com a distância intermédia do I Trail Iberlince de Barrancos! Como o início não se previa muito alto, decidi meter eu o ritmo, depois se via quem seguia... Após os primeiros metros em estradão entrámos rapidamente num single track que nos levava até à primeira subida da prova, um corta fogo logo à saída de Barrancos. Fiz esta subida toda a correr, sentia-me bem e queria ver se alguém vinha comigo... Acabei por ficar isolado e à chegada ao ponto mais alto, virávamos à esquerda, para deixar definitivamente Barrancos para trás, levando já um avanço que considerava razoável! 
Subida do corta fogo feita a correr. Foto da Helena Moreira
Seguimos por um estradão ligeiramente a descer, tento voltar aos ritmos rápidos e as pernas reagem bem... Deixo-me ir e a confiança começa a aumentar! Sabia pelos avisos do Ico que entre os 3 e os 9kms o percurso era mais técnico, o que não me favorecia muito, mas se conseguisse ganhar algum avanço, podia ser que conseguisse passar essa fase sem perder muito. Rapidamente chegamos a uma descida em single track que nos leva a um estradão com um ligeiro sobe e desce que nos levava até perto da Pipa, um dos locais característicos desta vila. 

Descida em single track até ao estradão. Foto da Caracol TV
Quando passamos a pipa e nos aproximamos do rio, as vistas começavam a deliciar... Apesar de o piso não nos dar muito tempo para poder olhar, tudo o que nos rodeava eram montes e o rio, dando um ar muito selvagem ao local! É aqui também que começa a parte técnica da prova: uma descida, atravessamos o rio (numa zona onde nesta altura do ano o rio costuma estar bem alto, até dava para passar sem molhar os pés) e estamos na primeira subida que mal dava para fazer de gatas, quanto mais a correr... Ainda tento e faço quase a primeira metade da subida num passo acelerado que se confundia com corrida mas depois resigno-me com a dificuldade imposta e faço o restante a andar! Mas o pior nem foi a subida, foi a descida correspondente! Tão inclinada como a subida, mas desta vez a gravidade estava a auxiliar na progressão... O que era péssimo para mim! Meti praticamente a passo e quando estava a chegar ao fim da descida, lá vem o duo que me vinha a perseguir, Jesus Maria Barranca e Moisés Barroso. Chego-me para o lado, eles passam e termino a minha descida, onde está o Tomás a garantir que ninguém se aleijava! Assim que termino a descida, uma zona plana onde ainda consegui apanhar o Jesus Barranca mas o Moisés já nem o via... A meio dessa subida está mais um amigo das antigas andanças por Barrancos, o António Guerra que está também a garantir que ninguém se aleija! Um cumprimento e sigo, a tentar não perder o Jesus de vista. A subida ainda se faz bem, mas depois iniciamos nova descida técnica e perco de vez a "cola". Fico sozinho e decido que também não era altura de arriscar, tinha que tentar recuperar depois dos 9kms e ir tentando recuperar nas zonas mais planas destes primeiros quilómetros! Pelo meio tinha ainda mais um local de difícil progressão com um amigo que muito respeito, André Seleiro, a ajudar na passagem... Cumprimento, combinamos o copo para a noite e sigo! Daqui até aos 9kms não há muito mais a descrever: passagens por sítios muitos bonitos onde tentei "sobreviver", perdendo o menor tempo possível! Ao longe ia vendo o Jesus, quando o terreno assim o permitia e ia percebendo o tempo que ia perdendo. 

Chego aos 9kms, tomo o gel alguns metros antes do abastecimento, já no local alguém me ajudou a encher o flask e sigo para o percurso dos 21kms! A partir daqui a prova ficava muito favorável para mim... Terreno não muito técnico, desnivelado, tudo aquilo que gosto! Meti logo um ritmo bem forte, tinha que recuperar o tempo perdido! Quando passo pela Cristina e pela Teresa (mais gente conhecida de Barrancos), cerca dos 10.5kms, já tinha os dois atletas à vista e passados 200mts, já tinha recuperado o primeiro lugar! Estava a fazer uma subida realmente forte, mais forte do que tinha previsto, até e assim que passo o Jesus, que na altura já ia em primeiro, tento passar forte, para não permitir colagens! Consigo ganhar algum avanço e já não o deixo perder... Aos 12kms entramos no estradão que liga o Castelo de Noudar a Barrancos e seguimos em direção a Barrancos! Aqui volto a meter ritmos altos... Apesar de ser algo desnivelado consigo andar sempre abaixo de 5'/km a subir e a direito ou a descer ando abaixo dos 4'/km! Melhor dizendo, ando a estes ritmos se não houver vacas pelo meio do caminho! Apanhei três vacas que estavam na berma do estradão e não estavam com cara de muitos amigos... Decidi ir a passo, ver a reação delas e depois então voltar a correr! Felizmente que nenhuma se dirigiu a mim e voltei a correr a bom ritmo, até à ponte da Pipa, onde já se ouvia o Juca a gritar por mim! Grande Caracol TV, obrigado pelo apoio! Iniciamos então uma subida muito inclinada, tento fazer o máximo possível a correr, sabia que o avanço era pouco e tinha que aumentar o mais rápido possível, até porque a saída do último abastecimento também era técnica e não podia deixar a decisão para esses pontos! 
Subida depois da ponte da Pipa. Foto da Caracol TV
Assim que chegamos ao topo dessa subida, viramos à esquerda e descida por alcatrão até à zona do parque de campismo... Entramos novamente em estradão, volto aos ritmos fortes e vejo a Bernardete, autora de algumas das minhas melhores fotos, incluindo a do Piodão, onde estou com a língua de fora, tento recriar o cenário e saem mais dois belos "retratos", um com a tal língua de fora e outra a sorrir com a situação! Obrigado Bernardete pelas ótimas fotos!

O tal sorriso para a foto
Sorrisos à parte era altura de voltar à prova... Ia passando pelo pessoal da prova pequena que iam desviando e dando força! Até que chegamos a um local onde já tínhamos passado em edições anteriores... A subida que vai dar ao acesso ao monte do Ico! Uma subida muito longa e inclinada onde tento dar o esforço final para garantir a vitória! Faço quase tudo a correr, e quando chego mesmo ao topo vejo o Francisco que estava a fazer a pequena... Trocamos algumas palavras e sigo pela descida para o último abastecimento. Lá encontro a minha mãe que estava a ajudar no abastecimento! Encho o flask e nem tenho tempo de dar grandes palavras ao "avô" André que também estava a ajudar... Tinha que me pôr ao caminho, faltavam poucos quilómetros até à meta e não tinha um segundo a perder! Saio do abastecimento e iniciamos nova subida, inicialmente algo técnica e que mais tarde se transformaria num single track, numa das zonas mais duras do percurso! Acabei por tentar fazer tudo a correr e apesar de ter posto a passo a espaços, até fiquei bastante satisfeito com esta subida! 

Grande "retrato" do Zé na penúltima subida da prova, a tal muito dura! Obrigado
A partir daqui já só faltava fazer uma pequena descida até à última zona de floresta, subir novamente até ao último monte antes de Barrancos, fazer a última subida da prova e entrar num trilho que gostei muito, pelo simbolismo que teve, o Trilho da Saudade! Uma enorme ideia do Ico onde homenageou aqueles que "por obras valorosas, se vão da lei da morte libertando" e que só demonstra todo o seu enorme lado humano, muitos parabéns! Por fim entramos novamente no estradão inicial, cumprimento a Ana Marques que estava a apoiar os atletas e a fazer de "pronto socorro" e sigo para a reta da meta onde passo a fita do primeiro classificado e dou o abraço de vitória ao meu pai, que estava a fazer de speaker na meta! Ótima maneira de fechar as três semanas de prova que estavam a deixar ótimas indicações!

Passagem na meta, a "cortar" a fita! Foto de Helena Moreira
Foi uma ótima prova, onde me consegui "impor" no meu terreno preferido e onde tive ótimas sensações para o que falta da época e a época que aí vem! Para culminar em beleza, as ótimas prestações coletivas, com o Hugo a terminar em 3º classificado, o João em 14º e a Joana em 33ª, que nos permitiram ganhar por equipas! Parabéns a todos os caracóis que terminaram as provas! 

Pódio da geral
Para finalizar, dar os parabéns ao Ico e restante equipa de voluntários que meteram de pé esta prova! Estava tudo feito a pensar no atleta! Voluntários nas zonas mais perigosas do terreno, abastecimentos muito completos, um percurso diversificado com marcações muito boas, brindes para os atletas como muito poucas provas no país dão... Resumindo, um "hino" ao trail nacional, muitos parabéns Ico! Agradecer também aos amigos de Barrancos pela hospitalidade, foi ótimo poder rever-vos a todos e reviver alguns dos melhores momentos que passámos juntos! 

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