Os meus motivos para fazer Trail

Este fim de semana vou finalmente largar a estrada e regressar ao Trail! Os objetivos para o segundo semestre estão lançados e após uma fase inicial mais virada para a recuperação da forma, chegou a hora de aplicar o treino e convertê-lo em resultados, sejam eles quais forem. Durante os últimos tempos, fui falando com algumas pessoas sobre a minha predisposição para correr em estrada, para o gosto que tenho em sentir o sangue na boca e por levar ao limite as minhas capacidades em terrenos para os quais não estou especificamente preparado. Mas o tema que me trás a este post é exatamente a resposta a esta conversa... É que quando falo de tudo o que gosto numa prova de estrada, sai-me imediatamente um "Eu gosto muito de estrada mas nada se compara ao gosto que tenho no trail, preciso mesmo de voltar!"... As linhas que se seguem complementam esta frase e são uma tentativa de explicar o que me atrai tanto neste desporto pelo qual estou completamente apaixonado desde que comecei a acompanhar o meu pai nos "primórdios" do trail. Em muitos momentos vou abordar o que se vive no "primeiro terço" do pelotão mas acredito plenamente que se estenda a todos os atletas.

  • Companheirismo

A primeira justificação para mim é algo que não tem um motivo aparente mas a verdade é que acontece! Já o vi em várias provas de trail, já o vivenciei, já o potenciei e já o senti! São inúmeros os exemplos de provas em que quem vem atrás tem a preocupação de ir cumprimentar quem chegou à frente e dar-lhe os parabéns. E estes parabéns não são um "pro forma" como sinto na estrada, são um momento de conversa e de diálogo em que falamos do momento em que íamos em grupo e acabamos por "sair" ganhando lugares na classificação ou do momento em que vamos a puxar por um grupo, aparece o já conhecido de todos "homem da marreta" e acabamos por quebrar e perder muitas posições. Neste ponto tenho que destacar entre outros atletas com quem partilho bons momentos pós e pré prova, o Vitor Cordeiro! É muito rara a prova em que no final não fale com o Vitor sobre a prova, aproveitando para ouvir, aprender e discutir alguns momentos das provas, sem qualquer pingo de vaidade de parte a parte, apenas um gosto tremendo por esta modalidade!

No final do Trail do Almonda, a falar com o Vitor Cordeiro

Final do Trail da Serra dos Candeeiros, com o Diogo Baena

  • A busca do limite

Já por aqui falei da busca pelo limite, da não existência de um limite "definitivo", da existência de um limite temporário consoante a forma que estamos a atravessar. E é exatamente este último limite que o trail permite procurar! Quando andamos a treinar tendo em conta um objetivo (para o pessoal de desporto, eu sei que a palavra treinar pressupõe um objetivo mas é para estarmos todos na mesma página), acabamos por traçar metas que muitas vezes estão para lá da nossa capacidade, queremos trabalhar para num determinado dia nos apresentarmos na linha de partida e conseguirmos atingir a linha de chegada no momento exato antes de a "corda rebentar". É a procura deste momento que torna o trail um desporto tão apaixonante! A gestão a nível de ritmo, da ingestão de alimentos e de água, da capacidade técnica dentro de uma prova que dura horas para poder atingir a meta com o objetivo alcançado faz com que seja muito, muito fácil de rebentar a corda e só quem conseguir dominar todos estes aspetos na perfeição, poderá almejar alcançar bons resultados, chegando assim o mais perto possível do limite.

Prova onde fiquei mais próximo do tal limite "temporário", sem o atingir: Vila de Rei 2017

  • A diversidade (terrenos/declives)

A gestão é uma das partes mais importantes do trail, tal como falei no ponto acima mas há uma coisa que é impossível de gerir... O terreno! Uma das coisas que me dá mais prazer numa prova de trail e que mais me atrai são as subidas longas, os declives acentuados mas não exageradamente acentuados e descidas que permitam uma boa gestão de prova. Mas a verdade é que nos trails podemos encontrar terrenos destes mas podemos também encontrar subidas curtas e acentuadas, podemos fazer 3000mts em 5 subidas como podemos encontrar 750mts em 15 subidas, podemos encontrar terrenos altamente técnicos, areia, calhaus que parece que têm rodas por baixo ou terrenos acessíveis que permitam ritmos muito altos! E é toda esta diversidade que atrai todo e qualquer atleta de trail... Todos temos o nosso "terreno preferido" mas também todos gostamos de nos desafiar em terrenos fora da nossa zona de conforto e que nos permitam tornar-nos melhores e mais completos atletas de trail.

Uma das minhas provas preferidas mas que tem algumas zonas bem fora da minha "zona de conforto"

  • Os locais visitados

Neste ponto não é preciso "falar" muito... Basta falar de alguns locais para toda a gente perceber do que falo: Pico do Areeiro (e nem sequer lá cheguei... Desculpem mas está atravessada), Frecha da Mizarela, Torre, Santuário da Senhora do Minho, Castelo de Óbidos, Trevim, Trilho da Cascata e muitos outros! Em todos estes já passei e apenas no caso da torre isso não se deveu exclusivamente ao trail. Esta oportunidade de vistiar alguns dos locais mais bonitos do país, podendo ao mesmo tempo testar as nossas capacidades é algo que não se encontra em muitos desportos e que dá toda uma beleza extra ao Trail Running.

Chegada à Torre no EGT 2017
Chegada à Capela da Nossa Senhora do Minho no GTSA 2016

Final do Ultra Trail Noturno da Lagoa de Óbidos que terminava na muralha do Castelo de Óbidos


Estes são os meus 4 motivos principais para nem sequer meter em causa a minha continuidade nos trilhos! Ainda que o sonho de acabar uma maratona de estrada continue bem presente, não está nos planos focar-me totalmente nisso, para já! Quero continuar a desfrutar de tudo o que este desporto tem para me dar. Podem deixar nos comentários mais alguns motivos que vos atraiam para este desporto e algumas situações que explanem os pontos que falei no post. Boas corridas! 

Comentários

  1. Concordo com todos. Um dos que mais me surpreendeu foi o companheirismo existente, inclusive nos atletas que disputam as primeiras posições. Não mencionaste, talvez por ser intrínseco ao ser humano, mas para mim o mais prazeroso é o contacto com a Natureza e a sua harmonia. Também, os treinos na serra, contrariamente aos de estrada, podem ser uma autêntica aventura, principalmente na descoberta de novos trilhos e na ligação de locais.

    Também escrevi a minha opinião sobre este tema em https://espiterunner.blogspot.com/2018/05/porque-o-trail-running.html

    Até Domingo, Tiago
    Abraços

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