"Todos vocês perguntam: E se corre mal? E a pergunta que eu faço é E se corre bem?"

Este post é para aqueles que treinam, para aqueles que se comprometem com um processo e que o levam até ao fim. É para os que gostam de se dedicar a algo com um objetivo em mente. É para os que chegam à meta com o sentimento de dever cumprido mas, além disso, ficam com uma sensação de euforia por ter corrido igual ao melhor que o previsto ou ficam com uma azia dos diabos porque as coisas não foram exatamente como tinham planeado. 

Antes de mais, explicar o porquê de tudo isto. Quando comecei o blogue, no longínquo ano de 2015, o objetivo era falar das minhas provas, falar do material que ia utlizando, mas também escrever alguns textos que achasse pertinentes e com os quais me ia debatendo na minha cabeça. E um dos tópicos que mais tem passado é a célebre frase do filósofo Rúben Amorim: "Todos vocês perguntam: E se corre mal? E a pergunta que eu faço é "E se corre bem?". Embora tenha uma paixão enorme por futebol, não vos venho falar disso. Venho antes falar-vos das três possibilidade de se proporem a um objetivo: cumprirem, falharem ou falharem miseravelmente. Antes de falar das 3 possibilidades, queria só deixar-vos um recado: se chegaram ao ponto da avaliação dos resultados, o que significa que já ultrapassaram a fase de definir objetivos, já se esforçaram por lá chegar e já se propuseram a uma avaliação. Em suma, já ganharam! Mas vamos então ao que nos trouxe aqui, as 3 possibilidades:

Cumpriram

Não há como negar. Propormo-nos a um objetivo e atingirmos esse objetivo causa em nós um pico de felicidade difícil de igualar. Fomos à luta, demos tudo de nós e conseguimos lá chegar. Sabíamos que podíamos falhar, fomos à mesma, e conseguimos ultrapassar todos os obstáculos para chegarmos ao nosso sucesso. A partir daqui, só há uma coisa a fazer: estabelecer novos objetivos e dedicarmo-nos tanto ou mais do que fizemos até ali. 

Falharam

Toda a gente sabe que nem sempre é possível atingir os objetivos a que nos propomos. A vida é malandra e, por vezes, gosta de nos pregar partidas que nos impedem de trabalhar tanto como queríamos para um determinado objetivo. Felizmente, nem tudo está perdido. Há uma coisa que podemos sempre fazer e que, garantidamente, nos levará ao sucesso dos próximos objetivos, o trabalho! É inegável que o trabalho nos levará sempre a algum lado, que nos aproximará sempre do nosso objetivo e que, quanto mais não seja, nos dará a disciplina que precisamos para o que enfrentarmos no resto da nossa vida. Pessoalmente, gosto quase tanto destes falhanços como dos sucessos. Um falhanço de quando em vez pode espicaçar (muito) para o trabalho ser cada vez mais metódico, para ser cada vez mais impermeável à falha. Se este for o resultado, não se preocupem, estão no caminho certo.

Falharam miseravelmente

O pior resultado para mim! Só o senti uma vez e foi, no mínimo, doloroso. Aprendi muito com ele, mas preferia não ter aprendido, honestamente. Falarei sempre desta prova porque foi o meu maior momento de falhar miseravelmente. Passar meses a treinar para desistir numa das provas mais importantes para mim foi uma autêntica placagem na minha confiança. Provavelmente era muito miúdo e criei expectativas desmedidas para aquela prova (mais uma lição aprendida) mas, acreditem ou não, achava mesmo que as poderia cumprir. Treinei muito para aquela prova e, como consumidor de informação que sou, fui aproveitando tudo o que ia ouvindo e lendo para imaginar a minha prova. Seguir durantes largos minutos com a Mimmi Kotka foi criando aspirações que ia partilhando com o parceiro de muitas horas de treino e de prova, o Pedro Ribeiro. Após todas estas expectativas, após todo o trabalho para chegar em condições, encostei aos 40km. Os 40km mais brutais que fiz até hoje! O corpo estava sem forças, mal eu sabia que o pior não era o estado em que o corpo estava. Falhar miseravelmente não estava na minha lista de afazeres habitual e, falhar ali, com aquelas aspirações, foi terrível. E foi muito por isto que quis fazer este post, porque não reagi da maneira certa. Não fui em busca de mais, não fui em busca de ser melhor. Comecei a ficar saturado, comecei a não fazer as coisas com o prazer que sempre tive, comecei a, lentamente, afastar-me deste Mundo do Trail que tanta coisa boa me deu. 

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